sábado, 30 de julho de 2011

Em Itaquera, moradores da Favela do Metrô temem desapropriação

Apesar da construção do estádio do Corinthians em Itaquera deixar a maioria dos moradores empolgados com a perspectiva de melhorias para o bairro, há quem esteja preocupado. Enquanto alguns comemoram o investimento e a possível abertura da Copa do Mundo de 2014, outros prefeririam que o estádio não fosse construído.

É o caso dos moradores da Favela do Metrô, na Avenida Miguel Inácio Curi, que se preocupam com a desapropriação que possivelmente acontecerá no lugar. O assunto sempre foi discutido pelas autoridades locais, mas com o início das obras do estádio e as especulações para a Copa, tem se tornado mais frequente.

“O estádio é uma boa, o ruim é essa história de termos que sair daqui”, afirma a comerciante Valdenice de Souza, 43, que mora no local. Ela, que gostaria de fazer a laje do seu bar, lamenta não poder pensar em investimentos do tipo. “Com toda essa história não posso fazer mais nada”, afirma.



O motorista José Rubivaldo da Cunha, 60, mais conhecido como Santista, também está preocupado. “A gente já mora na favela porque não tem condições de ter uma casa boa, aí querem tirar a gente daqui? Estamos pedindo a Deus que não aconteça”, diz.

A comerciante Leonete Lorenço de Souza, 48, que há 18 anos mora na região, afirma estar esperando para ver o que a prefeitura vai falar. “Todas essas mudanças vão valorizar o local, não só o estádio, mas a construção da Fatec e do Fórum também. Agora o ruim é se tiver mesmo a desapropriação. Vamos ver se eles vão mexer com a gente”, diz.

Outro ponto que preocupa os moradores é de quanto seria a indenização, caso os moradores tenham que sair do local. “Se for pra pagar um dinheiro bom para comprar outra casa, está ótimo. Agora se for uma merreca como R$ 5 mil, não dá. O que a gente vai fazer com R$ 5 mil?”, desabafa Valdenice.

Apesar do receio dos moradores, a desapropriação não está certa. Segundo os próprios moradores da Favela do Metrô, as autoridades locais ainda não se manifestaram e não houve nenhum comunicado oficial.

Escrito por Luana Pequeno e originalmente publicado no Blog Mural, da Folha de S. Paulo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Projeto social muda a vida de cidadãos

José Antônio Miranda, o Padre, tem 42 anos e trabalha há oito com coleta seletiva. Ex-usuário de drogas, ficou assim conhecido pelos colegas de trabalho por casa do irmão, padre de uma paróquia em Osasco, região metropolitana de São Paulo.

Com problemas nas cordas vocais e dificuldade para enxergar, Padre conta que caiu de uma laje em um dia que estava bêbado e drogado, o que o levou a ficar uma semana em coma e 15 dias internado. O acidente afetou a sua voz, o fez usar óculos e o obrigou a três meses de fisioterapia.

Foi a vontade de deixar o mundo das drogas que o levou ao Projeto Vira Lata, um programa que promove a inclusão social e a geração de trabalho e renda através da reciclagem. Com a ajuda do irmão, Padre foi internado em uma clínica de reabilitação e conseguiu um emprego no Projeto. “Meu irmão viu que eu estava na sarjeta e que precisava de ajuda”, explica.

O Projeto Vira Lata nasceu em 1998 com a proposta de diminuir a exclusão social e a degradação ambiental. Atualmente, recolhe do meio ambiente cerca de 80 toneladas por mês de materiais que podem ser reciclados, o que gera trabalho e renda para os mais de 45 catadores que trabalham na coleta seletiva.



Segundo o fundador do Projeto, Wilson Santos Pereira, o Vira Lata conta com duas personalidades jurídicas, a Associação e a Cooperativa, criadas respectivamente em 2001 e 2007. Pereira, que é o presidente da Associação Vira Lata, conta que o Projeto surgiu através de uma reflexão feita pela comunidade do Jardim Boa Vista, região de Pirituba, em São Paulo, onde um grupo de pessoas concordou em montar uma coleta seletiva. “No começo, não tínhamos ideia de que o Projeto cresceria tanto”, conta.

A Cooper Vira Lata é a responsável pela coleta, triagem e pressão de materiais como papel, plástico e vidro, que são vendidos para as indústrias. Junto com a Associação, a cooperativa já empregou mais de 500 pessoas, dentre elas, ex-presidiários.

Para Pereira, a importância do Projeto se dá pelo fato de sensibilizar a sociedade para a questão ambiental. “Na medida em que fazemos a coleta desses materiais, nós estamos economizando recursos naturais. Em 10 anos de projeto, já evitamos que 70 mil árvores fossem derrubadas e economizamos 100 mil litros de petróleo por causa da reciclagem do papel e do plástico”, explica.

O Projeto já ajudou a vida de muita gente, inclusive a do próprio Padre, que é hoje o presidente da Cooper Vira Lata. Ele, que disse ter começado a usar drogas aos 14 anos, se considera curado há 8, tempo em que está no Projeto. “O Vira Lata virou a minha segunda casa. Antes eu tinha um vazio dentro de mim e só preenchi ele depois que fiquei internado na clínica e conheci o Projeto”, conta.

Padre tem muitos motivos para aprovar o Vira Lata. Foi lá que ele conheceu a sua esposa, Maria Cícera da Silva, de 42 anos, também cooperada. “Foi a mulher que eu sonhava para a minha vida”, termina ele contente.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Educação de (má)qualidade

Esta semana tivemos duas más notícias na área da educação: uma sobre o aumento do percentual de instituições de ensino superior com nota baixa, e outra sobre o número de desistência dos alunos nas universidades. Dois levantamentos do MEC que deveriam resultar em medidas mais concretas para a solução dos problemas do sistema educacional do país.

Infelizmente o problema não está só na educação básica. Embora ela seja o pontapé inicial para uma formação de qualidade, não adianta uma educação básica boa se o caminho seguinte não for. E vendo os dados apresentados pelo MEC, a situação é preocupante: o percentual de cursos com nota abaixo de 3 (no Índice Geral de Cursos do MEC as notas variam de 1 a 5, sendo 5 a melhor nota) atingiu 32,7%. Em São Paulo, a proporção dos alunos que abandonam a faculdade também aumentou, em 10 anos, de 18% para 27%.


Muita se fala em melhorar a qualidade do ensino brasileiro, mas diante desses números, fica claro que a situação se agrava cada vez mais. O MEC deveria ter uma posição mais rigorosa com relação às instituições de ensino com notas inferiores. Além de descredenciar as faculdades com condições precárias, deveria descredenciar também todas aquelas que apresentam notas abaixo de 3. Seriam muitas, mas ainda assim estaríamos no lucro.

Não adianta o país se vangloriar de ver crescendo o número de jovens que entram no nível superior, através de programas sociais como o Prouni, se esses mesmos jovens não conseguem concluir o curso ou terminam a graduação sem o preparo necessário para assumir a profissão. O que se quer são bons profissionais no mercado. Os números resultantes desse trabalho seria uma consequência.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Arte em Itaquera

O bairro de Itaquera, na zona leste da capital paulista, agora tem apresentação de circo e show grátis. Neste final de semana, a região vai contar com duas atrações artísticas: a primeira é o show do Nicolas Krassik Trio, que acontece amanhã, dia 25/09, às 14 horas, no Parque do Carmo; a outra é o espetáculo circense "O Elefantinho que Caiu do Rabo do Cometa", mais voltado para o público infantil, que aconte no domingo, dia 26/09, às 15 horas, no Parque Raul Seixas.

As apresentações fazem parte do Projeto Cultura nos Parques, que tem como objetivo levar teatro, dança, música e circo para parques da periferia. O Projeto teve início no ano passado com a iniciativa da Cooperativa Paulista de Teatro. Neste ano, as atrações começaram em setembro, e vão até o dia 28 de novembro.

O Parque do Carmo fica na Av. Afonso de Sampaio e Souza, 951, e o Parque Raul Seixas na R. Murmúrios da Tarde, 211. Ambos em Itaquera. A censura é livre e a entrada é franca.

domingo, 19 de setembro de 2010

Participação política

Estamos a poucos dias das eleições e o que venho percebendo é que boa parte da população alimenta um certo sentimento de desprezo por essa que chamamos de a ''grande festa da democracia". As pessoas estão descontentes com tudo e não acreditam que a vida de sua comunidade pode mudar dependendo do candidato que elas elegem.

Cada vez mais, a ideia de que "o meu voto não vai mudar nada" se firma na cabeça das pessoas, das mais humildes até aquelas com um grau de instrução maior. Existe uma certa revolta com a política, onde o conceito da palavra se resume, basicamente, no fato de não haver "nenhum político que preste".

As pessoas acabam indo às urnas por pura obrigação. Muitas delas, usam o seu poder de voto para "brincar", fazendo pouco caso das eleições e votando nas chamadas "figurinhas", como uma forma de protesto ou, simplesmente, de puro descaso.

Me pergunto até quando vai ser assim. Até quando a participação do brasileiro na política vai se resumir a um voto obrigatório. Não era assim que a democracia devia ser. Queria muito ver pessoas interessadas na política e, principalmente, pessoas que acreditem que sim, é possível mudar.

Não consigo entender por que as pessoas perderam as esperanças e simplesmente cruzaram os braços. Foram os já inúmeros escândalos políticos que já surgiram? Eles são assim tão suficientes para fazer as pessoas desistirem de buscar um país melhor? Será que realmente é melhor ficar do lado de fora só reclamando? Por que não participar, procurar entender, buscar informações e, até mesmo, interagir com os candidatos? A internet hoje possibilita isso.

Sou jovem, me interesso por política e ainda tenho esperanças. Você pode dizer que é porque sou nova, mas eu já conheci gente mais velha, como o pessoal do Movimento Voto Consciente, que ainda luta por um país melhor. Você pode fazer parte desse time, ou pode também, em um almoço com seus filhos, alimentar essa cultura de desinteresse pela política, e ver mais tarde uma legião de brasileiros descontentes. A escolha é sua.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Eleições 2010

Dez ministros do presidente Lula se despedem hoje do governo para concorrer às eleições. Em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, Reinhold Stephanes, (Agricultura), Dilma Rousseff (Casa Civil), Hélio Costa (Comunicações), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Edson Santos (Igualdade Racial), Geddel Vieira Lima (Ingregração Nacional), Carlos Minc (Meio Ambiente), Edson Lobão (Minas e Energia), José Pimentel (Previdência Social) e Alfredo Nascimento (Trasnportes) deixam seus cargos.

Entre os que vão disputar governos estaduais estão Hélio Costa (Governo de Minas), Patrus Ananias (Governo de Minas), Geddel Vieira Lima (Governo da Bahia) e Alfredo Nascimento (Governo do Amazonas). O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cotado para deixar a presidência do BC para ser vice na candidatura de Dilma à presidência, deve permanecer no cargo.

Acho que ''nunca antes na história desse país'' tantos ministros saíram do governo para disputar eleições. Espera-se que o impacto dessas mudanças não seja grande. A maior parte dos novos ocupantes dos ministérios tem um perfil mais técnico, além de já ocuparem cargos nas pastas. Mas na prática, o que isso vai representar? Ainda temos 9 meses de mandato.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Disputa pelo Planalto

A corrida presidêncial desse ano promete. É uma Dilma Rousseff que tenta transparecer um carisma que não faz parte de sua personalidade, mas que pode ajudá-la a ganhar alguns votos do eleitorado de Lula. É um José Serra que teme que a cassação do prefeito Kassab - agora suspensa - interfira na sua campanha rumo ao Planalto. E há ainda um deputado federal da base aliada do governo que insiste em ser candidatar à Presidência, mesmo contrariando a estratégia do Planalto de lançá-lo candidato ao governo paulista.

Em reunião com dirigentes e líderes dos partidos aliados da última quarta-feira, 24 de feveiro, o deputado federal Ciro Gomes(PSB) confirmou o seu interesse em sair candidato à Presidência da República, embora não tenha se negado a um acordo em torno de sua candidatura ao governo de São Paulo.

De acordo com pesquisa divulgada na primeira semana de feveiro da CNT/Sensus, caso decida disputar o Palácio do Planalto, o deputado aparece em terceiro lugar nas intenções de voto. Em primeiro, está o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), que ocupa a segunda posição.

Segundo a pesquisa, a candidatura de Ciro Gomes chega a ser favorável a da Dilma Roussef, já que com ele no cénário da disputa, a petista encosta no candidato da oposição e líder das pesquisas, José Serra.

Ainda na corrida rumo ao Planalto, há a senadora Marina Silva (PV), que apesar de ter ficado em quarto lugar, registrou um crescimento e passou de 8,1% para 9,5% das intenções de voto.

Apesar de restarem alguns meses para as eleições, o debate sobre as escolhas dos novos dirigentes políticos já está a todo vapor, em especial no que se refere à sucessão presidencial. Que os debates prossigam e que a população possa ter um olhar crítico e saiba escolher seus candidatos, é o que se espera.