quarta-feira, 31 de março de 2010

Eleições 2010

Dez ministros do presidente Lula se despedem hoje do governo para concorrer às eleições. Em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, Reinhold Stephanes, (Agricultura), Dilma Rousseff (Casa Civil), Hélio Costa (Comunicações), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Edson Santos (Igualdade Racial), Geddel Vieira Lima (Ingregração Nacional), Carlos Minc (Meio Ambiente), Edson Lobão (Minas e Energia), José Pimentel (Previdência Social) e Alfredo Nascimento (Trasnportes) deixam seus cargos.

Entre os que vão disputar governos estaduais estão Hélio Costa (Governo de Minas), Patrus Ananias (Governo de Minas), Geddel Vieira Lima (Governo da Bahia) e Alfredo Nascimento (Governo do Amazonas). O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cotado para deixar a presidência do BC para ser vice na candidatura de Dilma à presidência, deve permanecer no cargo.

Acho que ''nunca antes na história desse país'' tantos ministros saíram do governo para disputar eleições. Espera-se que o impacto dessas mudanças não seja grande. A maior parte dos novos ocupantes dos ministérios tem um perfil mais técnico, além de já ocuparem cargos nas pastas. Mas na prática, o que isso vai representar? Ainda temos 9 meses de mandato.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Disputa pelo Planalto

A corrida presidêncial desse ano promete. É uma Dilma Rousseff que tenta transparecer um carisma que não faz parte de sua personalidade, mas que pode ajudá-la a ganhar alguns votos do eleitorado de Lula. É um José Serra que teme que a cassação do prefeito Kassab - agora suspensa - interfira na sua campanha rumo ao Planalto. E há ainda um deputado federal da base aliada do governo que insiste em ser candidatar à Presidência, mesmo contrariando a estratégia do Planalto de lançá-lo candidato ao governo paulista.

Em reunião com dirigentes e líderes dos partidos aliados da última quarta-feira, 24 de feveiro, o deputado federal Ciro Gomes(PSB) confirmou o seu interesse em sair candidato à Presidência da República, embora não tenha se negado a um acordo em torno de sua candidatura ao governo de São Paulo.

De acordo com pesquisa divulgada na primeira semana de feveiro da CNT/Sensus, caso decida disputar o Palácio do Planalto, o deputado aparece em terceiro lugar nas intenções de voto. Em primeiro, está o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), que ocupa a segunda posição.

Segundo a pesquisa, a candidatura de Ciro Gomes chega a ser favorável a da Dilma Roussef, já que com ele no cénário da disputa, a petista encosta no candidato da oposição e líder das pesquisas, José Serra.

Ainda na corrida rumo ao Planalto, há a senadora Marina Silva (PV), que apesar de ter ficado em quarto lugar, registrou um crescimento e passou de 8,1% para 9,5% das intenções de voto.

Apesar de restarem alguns meses para as eleições, o debate sobre as escolhas dos novos dirigentes políticos já está a todo vapor, em especial no que se refere à sucessão presidencial. Que os debates prossigam e que a população possa ter um olhar crítico e saiba escolher seus candidatos, é o que se espera.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O veto do presidente

Essa última semana de janeiro contou com uma decisão no mínimo revoltante para o povo brasileiro. O presidente Lula resolveu contrariar o Tribunal de Contas da União (TCU) e liberou verba de aproximadamente R$ 13,1 bilhões a quatros obras da Petrobrás que estavam paralisadas por indícios de irregularidades graves apontadas pelo TCU.

O órgão havia recomendado a paralisação dos quatro empreendimentos pela suspeita de falhas nos projetos, falta de detalhamentos dos gastos e preços superiores aos de mercado. Lula, no entanto, vetou a lei orçamentária que determinava a paralisação das obras.

Os quatro empreendimentos em questão são a refinaria Abreu e Lima (PE), o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, a modernização da refinaria Presidente Getúlio Vargas (PR) e o terminal de Barra do Riacho (ES), que já geraram muitos gastos à União.

Não é a primeira vez que Lula libera verba para obras consideradas irregulares e, embora o presidente tenha justificado sua decisão afirmando que a paralisação das obras gera um prejuízo mensal de R$ 268 milhões e um corte de 25 mil empregos, é difícil acreditar que o veto à lei orçamentária tenha se limitado a isso.

Na verdade, os motivos para a retomada dessas obras são muito mais amplos, em especial por estarmos a poucos meses das eleições. No entanto, é inadmissível que um governo, para promover sua imagem e facilitar a candidatura de seu pré-candidato (no caso, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff) libere dinheiro para obras com indícios de irregularidades. A decisão de Lula é no mínimo vergonhosa e desmerece o sério trabalho realizado pelo Tribunal de Contas da União.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O polêmico plano

O Plano Nacional de Direitos Humanos do governo Lula ainda vai dá o que falar. Logo quando foi lançado, em 21 de dezembro, recebeu críticas dos comandantes militares por causa da proposta de criação de uma comissão da verdade a fim de apurar as circunstâncias dos crimes ocorridos durante a ditadura. Agora, como já era de se esperar, é a vez da Igreja Católica bater no governo.

O descontentamento dos religiosos se dá em razão de quatro artigos do documento, que propõem ações coordenadas de governo a fim de descriminalizar o aborto, proibir a ostentação de símbolos religiosos em órgãos públicos e permitir a união civil de homossexuais, bem como o direito à adoção.

Bispos, padres e católicos reagiram tão contrariamente ao plano quanto os militares. A defessa de tais artigos chega a ser ofensiva para a Igreja, que condena veementemente a aprovação de tais práticas. O bispo d. José Simão chegou a afirmar que a iniciativa é uma atitude arbitrária e antidemocrática do governo Lula.

A situação não é nada boa e ainda deve gerar muitas discussões. Órgãos como a Federação Paulista dos Movimentos em Defesa da Vida defendem que o assunto seja colocado em debate a fim de conscientizar a população acerca das medidas do plano.

Vamos ver como Lula irá administrar a questão. Vale lembrar que logo quando as ideias do programa foram lançadas, os comandantes das Forças Armadas colocarem os seus cargos à disposição. Talvez o presidente não tenha se importado muito com isso, mas seus eleitores católicos na certa não esquecerão.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sem luz

O Brasil parou. O apagão de ontem (10/11), que segundo dados oficiais atingiu pelo menos 9 Estados e o Distrito Federal, foi o maior dos últimos dez anos. Cerca de 800 cidades brasileiras foram afetadas pela falta de energia, que resultou em um tremendo caos.

O incidente parou o metrô, atrapalhou o trânsito e provocou panes nos telefones. Quem voltava do trabalho, da faculdade ou de outros compromissos ansioso para chegar em casa e descansar, teve que adiar esse momento. O número de pessoas em pontos de ônibus como os da Radial Leste era grande e diversas pessoas, cansadas de esperar por um ônibus em que pudessem entrar, tamanha a lotação dos que passavam, descansavam nas calçadas.

Logo no início da pane, por volta das 22h30, pessoas que ficaram presas no metrô, na estação Bresser, e tiveram que sair do vagão e passar pelos trilhos, pulavam o muro da estação. Outras, que observavam a cena e caminhavam para o metrô, desistiram de chegar até a estação e começaram a reunir pequenos grupos, com medo de possíveis assaltos, para ir até a Radial e pegar uma condução.

No entanto, atravessar a avenida que liga as zonas leste e oeste da capital não foi fácil. Com os semáforos apagados, o jeito foi contar com os mais corajosos que se colocavam entre os carros com as mãos para o alto, sinalizando para que os veículos parassem, e abrindo caminho às demais pessoas, como verdadeiros guardas de trânsito.

O blecaute atingiu São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Goiás e Pernambuco. O motivo do apagão teria sido uma falha no sistema de transmissão de Furnas, que parou a usina de Itaipu. Uma torre de transmissão, teria sido derrubada devido às fortes chuvas no estado do Paraná.

O Governo tomou conhecimento da situação logo após a ocorrência do apagão. O presidente Lula, que estava em uma reunião com os governadores do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, tratando de mudanças no projeto do marco regulatório do pré-sal, determinou ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que tomasse as providências para solucionar o problema e esclarecesse a população.

É lastimável que um fato como esse ainda ocorra no Brasil. O que aconteceu ontem, só vem confirmar a fragilidade do sistema elétrico brasileiro. Um país como o Brasil, que está em franco crescimento, não pode ter esse tipo de falha. O pior é que, se esse sistema elétrico não progredir, incidentes como o de ontem só tendem a se repetir, visto que com a previsão de tempestades cada vez mais fortes, as linhas de transmissão se tornarão ainda menos seguras.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Guerra sem fim

O exército paquistanês está lutando contra o Taleban, mas isso só está trazendo mais baixas para a região. Só ontem, a explosão de um carro-bomba em um mercado de Peshawar, no noroeste do Paquistão, matou pelo menos cem pessoas, a maioria mulheres e crianças.

Desde o início do conflito entre o Taleban e o governo de Islamabad, em 2007, já foram contabilizados mais de 2.500 pessoas mortas em atentados suicidas. Com o ataque de ontem, o número de mortos em ofensivas terroristas subiu para 270 neste mês, que foi quando começou a nova onda de ataques atribuídos ao Taleban.

Ironicamente, a ação dos terroristas se deu pouco tempo depois que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, chegou ao país justamente para demonstrar o apoio de Washington à campanha do governo paquistanês contra os terroristas.

O Paquistão há muito briga contra o Taleban e está decidido a ir até o fim, para a alegria dos americanos. Ontem, o chanceler do país, Shah Mahmood Qureshi, disse que o governo paquistanês não esmorecerá e que o país não será derrotado.

A disposição do governo de Islamabad em seguir adiante na ofensiva contra o Taleban, é muito importante para os interesses do governo americano, que visa estabilizar o Afeganistão, já que a guerra travada no país se tornou o foco do presidente Barack Obama no combate ao terrorismo.

O interesse pode ser exemplificado por um ato da Casa Branca, que na segunda semana de outubro oficializou uma lei que visa uma ajuda anual de US$ 1,5 bilhão ao Paquistão, pelo prazo de cinco anos.

São guerras como essa, entre o Taleban e o Paquistão, que levam a comunidade internacional a se revoltar contra políticas anti-terroristas. A dor de ver centenas de mortos e feridos na televisão e nas capas dos jornais é universal. É muito triste que civis acabem pagando com a própria vida, disputas que parecem não ter fim nunca.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um presidente deposto

Parece que o Brasil vem sendo o queridinho da América Latina, ou pelo menos, do presidente deposto Manuel Zelaya, que resolveu se refugiar na embaixada brasileira, em Tegucigalpa. Chegou clandestinamente em Honduras na segunda-feira, 21 de setembro, oitenta e cinco dias depois de ter sido preso e expulso do país, e permanece lá, com total apoio do presidente Lula.

Zelaya já tentou duas vezes regressar ao país e disse que dessa vez viajou durante quinze horas, passando por bloqueios e perseguições. Quando a imprensa já noticiava o seu refugio na Embaixada do Brasil, Manuel Zelaya, em entrevista ao canal espanhol CNN, disse que graças ao presidente Lula tinha proteção na Embaixada do Brasil, demostrando o seu agradecimento ao governo brasileiro.

Lula afirmou depois que o Brasil apoia a permanência de Zelaya na embaixada brasileira pelo tempo que for necessário, falando oficialmente que não cumpriria as exigências feitas pelo governo de fato de Honduras, que consiste em dar asilo formal a Zelaya no Brasil ou entregá-lo à justiça hondurenha. Lula justificou sua posição por não reconhecer um governo golpista.

Com o retorno de Zelaya, a crise política de Honduras se intensifica e gera mais tensão na região. A Embaixada do Brasil conta agora com o cerco de forças militares, além de Organizações Não-Governamentais (ONGs) que levam mantimentos à dezenas de pessoas que estão no local. Contudo, apesar de toda a repercussão do caso e da pressão dos defensores de Zelaya, o governo de Roberto Micheletti se mantém firme em impedir que o presidente deposto volte ao poder.

A atuação do Brasil nesse caso é louvável. Embora as comunidades internacionais repudiem o governo golpista, elas se mantêm em uma posição mais distante que o Brasil, fato esse que deve ter sido levado em conta por Zelaya, quando escolheu a embaixada brasileira para se refugiar e chamar a atenção do mundo contra o golpe hondurenho.

A posição de Lula era o que se podia esperar de um Estado Democrático de Direito. Não importa se a intenção de Manuel Zelaya era se perpetuar no poder, estabelecendo assim um governo ditatorial, nos moldes de Hugo Chaves, da Venezuela. O que se tem de mais importante para se analisar, é o fato de um presidente, eleito de forma democrática, ter sido deposto e expulso de seu país durante o seu mandato.

A comunidade internacional não pode aceitar o golpe de Honduras ou se manter indiferente ao ocorrido, o que pode vir acontecer diante da relutância de Roberto Micheletti em fechar algum acordo. A decisão de Zelaya de voltar a Honduras em um momento em que a imprensa já não estava dando tanto atenção ao caso, foi inteligente. E mais inteligente ainda, foi Lula ter se mantido firme no seu apoio ao presidente deposto.