Sei que passou o tempo em que a palavra globalização era moda. Acredito que hoje a palavra da vez seja sustentabilidade. O mundo precisa ser sustentável e qualquer empresa que queira se destacar no mercado tem que ter uma “política de sustentabilidade”.
No entanto, quando soube do hit da internet “Menos Luiza, que está no Canadá”, foi essa a palavra que me veio à mente: globalização. Acho até que não é a palavra ideal a ser usada. Para mim, ela remete ao tempo em que se discutia a evolução do transporte e o surgimento da internet, coisas tão óbvias e comuns hoje em dia. A questão é que não vejo outra palavra para usar.
Sei que já devia ter me acostumado com essas coisas que surgem do nada na internet e fazem tanto sucesso, mas isso realmente me impressiona. Como é que pode essa frase ter ficado tão conhecida em tão pouco tempo? Como pode as empresas já estarem fazendo marketing com ela?
O surgimento da internet não me afetou assim, mas as redes sociais me deixam assustada... Tenho medo delas e ainda fico impressionada com todo esse poder.
Aqui você encontra comentários sobre assuntos que estão em destaque na mídia nacional e algumas matérias do tempo em que me aventurava na reportagem de rua.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Horta comunitária em Itaquera
Uma oficina prática de permacultura promovida pela Aliança Libertária Meio Ambiente (ALMA Ambiental), associação que realiza ações de educação ambiental para sensibilização e mobilização da comunidade, reuniu cerca de 10 pessoas na Horta Comunitária José Bonifácio, em Itaquera, na zona leste de São Paulo.
Interessados em aprender a construir uma horta de ervas e temperos dentro da horta comunitária, moradores da região trabalharam seguindo as orientações de Ricardo Thaler, que ministrou a oficina.
A permacultura é um método para planejar comunidades ambientalmente sustentáveis. Segundo o coordenador administrativo e de mobilização ambiental da ALMA, Marcello Nascimento de Jesus, “incentivar esse tipo de prática em comunidades pobres é um meio de trazer qualidade de vida construída pelas mãos dos próprios moradores”.
A Horta Comunitária José Bonifácio é gerida por três pessoas da região. A idéia de uma oficina de ervas e temperos dentro da horta surgiu para divulgar e aproximar mais os moradores, para que todos participem dela.
“Imagine poder comer um alface e outros alimentos que você mesmo plantou, fresquinho e sem agrotóxicos?”, pergunta Marcello. Segundo ele, outro benefício da horta comunitária é a possibilidade de comercializar o excedente para os moradores locais, “fortalecendo a horta e trabalhando o conceito de economia solidária”.
“Tivemos essa iniciativa para popularizar o conceito de permacultura, que ainda é conhecido por poucas pessoas. Queremos disseminar e multiplicar o conceito entre as pessoas da região, mostrando que é simples: um misto do tradicional com a inovação. O objetivo é que as pessoas apliquem na prática esses conceitos”, explica Marcello.
A oficina de ervas e temperos na Horta Comunitária José Bonifácio faz parte do projeto Ação Recicla COHAB 2011 (Cohabitarte), que incentiva moradores a sentirem e pensarem o meio ambiente a partir do lugar onde moram, estabelecendo relações sustentáveis com o seu bairro.
Escrito por Luana Pequeno e originalmente publicado no Blog Mural, da Folha de S. Paulo.
Interessados em aprender a construir uma horta de ervas e temperos dentro da horta comunitária, moradores da região trabalharam seguindo as orientações de Ricardo Thaler, que ministrou a oficina.
A permacultura é um método para planejar comunidades ambientalmente sustentáveis. Segundo o coordenador administrativo e de mobilização ambiental da ALMA, Marcello Nascimento de Jesus, “incentivar esse tipo de prática em comunidades pobres é um meio de trazer qualidade de vida construída pelas mãos dos próprios moradores”.
A Horta Comunitária José Bonifácio é gerida por três pessoas da região. A idéia de uma oficina de ervas e temperos dentro da horta surgiu para divulgar e aproximar mais os moradores, para que todos participem dela.
“Imagine poder comer um alface e outros alimentos que você mesmo plantou, fresquinho e sem agrotóxicos?”, pergunta Marcello. Segundo ele, outro benefício da horta comunitária é a possibilidade de comercializar o excedente para os moradores locais, “fortalecendo a horta e trabalhando o conceito de economia solidária”.
“Tivemos essa iniciativa para popularizar o conceito de permacultura, que ainda é conhecido por poucas pessoas. Queremos disseminar e multiplicar o conceito entre as pessoas da região, mostrando que é simples: um misto do tradicional com a inovação. O objetivo é que as pessoas apliquem na prática esses conceitos”, explica Marcello.
A oficina de ervas e temperos na Horta Comunitária José Bonifácio faz parte do projeto Ação Recicla COHAB 2011 (Cohabitarte), que incentiva moradores a sentirem e pensarem o meio ambiente a partir do lugar onde moram, estabelecendo relações sustentáveis com o seu bairro.
Escrito por Luana Pequeno e originalmente publicado no Blog Mural, da Folha de S. Paulo.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Na Cidade dos Velhinhos, Itaquera tem “Feira da Vovó”
O dia 17 de setembro poderia ser um domingo como outro qualquer, mas não para os moradores da Cidade dos Velhinhos, em Itaquera. Nessa data, acontecia a 43ª Feira da Vovó, evento ansiosamente esperado pelos idosos que moram lá e realizado para arrecadar fundos para a instituição.
Com direito a shows, comida e brincadeiras, a festa deste ano comemorava os 50 anos de fundação e funcionamento da associação. As várias barracas presente na Cidade dos Velhinhos foram resultados de trabalhos voluntários e, nelas, havia pessoas que se dispuseram desde a preparar comida, até comprar os brindes que seriam entregues nas brincadeiras.
A Cidade dos Velhinhos Santa Luiza de Marilac é considerada uma das principais entidades voltada ao trabalho com idosos em São Paulo. Bastante conhecida na região, é direcionada a acolher pessoas de baixa-renda. “Nosso objetivo é prestar assistência social aos idosos com dignidade”, afirma a presidente da entidade, irmã Josefa Coissi.
Uma das características da associação é ser reconhecida pelo bom trabalho que realiza. O morador Paulo Morais, 69, fala com orgulho do lugar onde mora há um ano. “Aqui é classe A. Tudo é individual, a gente tem nosso quarto e temos quatro refeições por dia”, conta.
Sentado em uma cadeira de rodas, ele observava feliz a festa e conversava com todos que paravam para falar com ele. Atencioso e simpático, só tinha elogios a fazer para a associação. “O que eu mais gosto é do pessoal que trabalha aqui. São todos muito bacanas. Eles tomam cuidado com a gente e são muito carinhosos”, diz.
A Cidade dos Velhinhos conta atualmente com 75 moradores. Segundo a presidente Josefa Coissi, a maioria “são pessoas que foram abandonadas ou que escolheram deixar a família”.
A entidade pretende fazer mais um pavilhão para aumentar o número de vagas, mas para isso dependerá da ajuda da subprefeitura da região. Hoje, ela se mantém com doações da sociedade e com a contribuição de familiares dos idosos.
A 43ª Feira da Vovó reuniu cerca de 1.500 pessoas. Segundo José Mário Nogueira Junior, organizador da feira há 14 anos, o evento gera bastante expectativa e tem uma grande importância para a casa. “Um mês antes os moradores já ficam felizes e, para nós, o mais importante é a satisfação deles”, conclui.
Escrito por Luana Pequeno e originalmente publicado no Blog Mural, da Folha de S. Paulo.
Com direito a shows, comida e brincadeiras, a festa deste ano comemorava os 50 anos de fundação e funcionamento da associação. As várias barracas presente na Cidade dos Velhinhos foram resultados de trabalhos voluntários e, nelas, havia pessoas que se dispuseram desde a preparar comida, até comprar os brindes que seriam entregues nas brincadeiras.
A Cidade dos Velhinhos Santa Luiza de Marilac é considerada uma das principais entidades voltada ao trabalho com idosos em São Paulo. Bastante conhecida na região, é direcionada a acolher pessoas de baixa-renda. “Nosso objetivo é prestar assistência social aos idosos com dignidade”, afirma a presidente da entidade, irmã Josefa Coissi.
Uma das características da associação é ser reconhecida pelo bom trabalho que realiza. O morador Paulo Morais, 69, fala com orgulho do lugar onde mora há um ano. “Aqui é classe A. Tudo é individual, a gente tem nosso quarto e temos quatro refeições por dia”, conta.
Sentado em uma cadeira de rodas, ele observava feliz a festa e conversava com todos que paravam para falar com ele. Atencioso e simpático, só tinha elogios a fazer para a associação. “O que eu mais gosto é do pessoal que trabalha aqui. São todos muito bacanas. Eles tomam cuidado com a gente e são muito carinhosos”, diz.
A Cidade dos Velhinhos conta atualmente com 75 moradores. Segundo a presidente Josefa Coissi, a maioria “são pessoas que foram abandonadas ou que escolheram deixar a família”.
A entidade pretende fazer mais um pavilhão para aumentar o número de vagas, mas para isso dependerá da ajuda da subprefeitura da região. Hoje, ela se mantém com doações da sociedade e com a contribuição de familiares dos idosos.
A 43ª Feira da Vovó reuniu cerca de 1.500 pessoas. Segundo José Mário Nogueira Junior, organizador da feira há 14 anos, o evento gera bastante expectativa e tem uma grande importância para a casa. “Um mês antes os moradores já ficam felizes e, para nós, o mais importante é a satisfação deles”, conclui.
Escrito por Luana Pequeno e originalmente publicado no Blog Mural, da Folha de S. Paulo.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Muito além de um estádio de futebol
O trânsito na região de Itaquera, na zona leste da capital paulista, tem piorado a cada dia. Parte dessa mudança deveu-se à extensão da Radial Leste, há cerca de seis anos. Antes disso, o bairro apresentava pouco tráfego: os usuários do metrô desciam na estação Itaquera, pegavam a lotação para chegar em casa e gastavam tempo “normal” no trajeto, que podia variar entre 15 e 20 minutos. Hoje não.
Quem desce na estação do metrô Corinthians-Itaquera e precisa pegar um ônibus, deve contar também com o trânsito. As lotações passaram a demorar mais para saírem do terminal e o fluxo de carros na região aumentou.
“De ano em ano, o trânsito aumenta”, afirma o estudante Ageu Ferreira. Para ele, “com o desenvolvimento do bairro, só vai aumentar”. Ferreira afirma que o bairro ainda não tem infraestrutura para suportar esse crescimento.
Outras mudanças são visíveis no transporte público. As estações do metrô e trem, localizadas no mesmo local, estão cada vez mais cheias. Se antes, no horário de pico, os moradores pegavam fila para passar nas catracas e se protegiam por meio da cobertura da estação, hoje seguem pela área descoberta e invadem as passarelas.
“É terrível. Precisa aumentar a quantidade de trens, é muita gente. A fila às vezes entra até no shopping [Shopping Metrô Itaquera]”, diz a merendeira Aparecida Barbosa. Segundo ela, o empurra-empurra é grande e o trajeto está mais demorado. “É gente tanto na rampa do lado direito, quanto do lado esquerdo.”
O estudante Ageu Ferreira também concorda. “Antigamente, o metrô não era tão cheio. Não tinha essas filas gigantescas”, afirma.
Para a analista de crédito Sileide Gomes, a demanda na região de Itaquera está bem maior e o metrô não está dando conta. “Está mais cheio e pior”, conta.
A construção do estádio do Corinthians deverá aumentar ainda mais o fluxo de pessoas na região, o que vai afetar o trânsito e o transporte público. A expectativa da abertura da Copa de 2014 faz aumentar a pressão por investimentos em infraestrutura.
Algumas obras já estão previstas, como a construção de novas vias que ligam a avenida Jacu-Pêssego e a Radial Leste, a nova avenida de ligação Norte-Sul no trecho entre a avenida Itaquera e a Radial, e a articulação com a avenida Miguel Inácio Curi.
Apesar disso, os moradores têm receio de que as mudanças no bairro sejam insuficientes para atender o aumento do fluxo de pessoas.
Escrito por Luana Pequeno e originalmente publicado no Blog Mural, da Folha de S. Paulo.
Quem desce na estação do metrô Corinthians-Itaquera e precisa pegar um ônibus, deve contar também com o trânsito. As lotações passaram a demorar mais para saírem do terminal e o fluxo de carros na região aumentou.
“De ano em ano, o trânsito aumenta”, afirma o estudante Ageu Ferreira. Para ele, “com o desenvolvimento do bairro, só vai aumentar”. Ferreira afirma que o bairro ainda não tem infraestrutura para suportar esse crescimento.
Outras mudanças são visíveis no transporte público. As estações do metrô e trem, localizadas no mesmo local, estão cada vez mais cheias. Se antes, no horário de pico, os moradores pegavam fila para passar nas catracas e se protegiam por meio da cobertura da estação, hoje seguem pela área descoberta e invadem as passarelas.
“É terrível. Precisa aumentar a quantidade de trens, é muita gente. A fila às vezes entra até no shopping [Shopping Metrô Itaquera]”, diz a merendeira Aparecida Barbosa. Segundo ela, o empurra-empurra é grande e o trajeto está mais demorado. “É gente tanto na rampa do lado direito, quanto do lado esquerdo.”
O estudante Ageu Ferreira também concorda. “Antigamente, o metrô não era tão cheio. Não tinha essas filas gigantescas”, afirma.
Para a analista de crédito Sileide Gomes, a demanda na região de Itaquera está bem maior e o metrô não está dando conta. “Está mais cheio e pior”, conta.
A construção do estádio do Corinthians deverá aumentar ainda mais o fluxo de pessoas na região, o que vai afetar o trânsito e o transporte público. A expectativa da abertura da Copa de 2014 faz aumentar a pressão por investimentos em infraestrutura.
Algumas obras já estão previstas, como a construção de novas vias que ligam a avenida Jacu-Pêssego e a Radial Leste, a nova avenida de ligação Norte-Sul no trecho entre a avenida Itaquera e a Radial, e a articulação com a avenida Miguel Inácio Curi.
Apesar disso, os moradores têm receio de que as mudanças no bairro sejam insuficientes para atender o aumento do fluxo de pessoas.
Escrito por Luana Pequeno e originalmente publicado no Blog Mural, da Folha de S. Paulo.
sábado, 30 de julho de 2011
Em Itaquera, moradores da Favela do Metrô temem desapropriação
Apesar da construção do estádio do Corinthians em Itaquera deixar a maioria dos moradores empolgados com a perspectiva de melhorias para o bairro, há quem esteja preocupado. Enquanto alguns comemoram o investimento e a possível abertura da Copa do Mundo de 2014, outros prefeririam que o estádio não fosse construído.
É o caso dos moradores da Favela do Metrô, na Avenida Miguel Inácio Curi, que se preocupam com a desapropriação que possivelmente acontecerá no lugar. O assunto sempre foi discutido pelas autoridades locais, mas com o início das obras do estádio e as especulações para a Copa, tem se tornado mais frequente.
“O estádio é uma boa, o ruim é essa história de termos que sair daqui”, afirma a comerciante Valdenice de Souza, 43, que mora no local. Ela, que gostaria de fazer a laje do seu bar, lamenta não poder pensar em investimentos do tipo. “Com toda essa história não posso fazer mais nada”, afirma.
O motorista José Rubivaldo da Cunha, 60, mais conhecido como Santista, também está preocupado. “A gente já mora na favela porque não tem condições de ter uma casa boa, aí querem tirar a gente daqui? Estamos pedindo a Deus que não aconteça”, diz.
A comerciante Leonete Lorenço de Souza, 48, que há 18 anos mora na região, afirma estar esperando para ver o que a prefeitura vai falar. “Todas essas mudanças vão valorizar o local, não só o estádio, mas a construção da Fatec e do Fórum também. Agora o ruim é se tiver mesmo a desapropriação. Vamos ver se eles vão mexer com a gente”, diz.
Outro ponto que preocupa os moradores é de quanto seria a indenização, caso os moradores tenham que sair do local. “Se for pra pagar um dinheiro bom para comprar outra casa, está ótimo. Agora se for uma merreca como R$ 5 mil, não dá. O que a gente vai fazer com R$ 5 mil?”, desabafa Valdenice.
Apesar do receio dos moradores, a desapropriação não está certa. Segundo os próprios moradores da Favela do Metrô, as autoridades locais ainda não se manifestaram e não houve nenhum comunicado oficial.
Escrito por Luana Pequeno e originalmente publicado no Blog Mural, da Folha de S. Paulo.
É o caso dos moradores da Favela do Metrô, na Avenida Miguel Inácio Curi, que se preocupam com a desapropriação que possivelmente acontecerá no lugar. O assunto sempre foi discutido pelas autoridades locais, mas com o início das obras do estádio e as especulações para a Copa, tem se tornado mais frequente.
“O estádio é uma boa, o ruim é essa história de termos que sair daqui”, afirma a comerciante Valdenice de Souza, 43, que mora no local. Ela, que gostaria de fazer a laje do seu bar, lamenta não poder pensar em investimentos do tipo. “Com toda essa história não posso fazer mais nada”, afirma.
O motorista José Rubivaldo da Cunha, 60, mais conhecido como Santista, também está preocupado. “A gente já mora na favela porque não tem condições de ter uma casa boa, aí querem tirar a gente daqui? Estamos pedindo a Deus que não aconteça”, diz.
A comerciante Leonete Lorenço de Souza, 48, que há 18 anos mora na região, afirma estar esperando para ver o que a prefeitura vai falar. “Todas essas mudanças vão valorizar o local, não só o estádio, mas a construção da Fatec e do Fórum também. Agora o ruim é se tiver mesmo a desapropriação. Vamos ver se eles vão mexer com a gente”, diz.
Outro ponto que preocupa os moradores é de quanto seria a indenização, caso os moradores tenham que sair do local. “Se for pra pagar um dinheiro bom para comprar outra casa, está ótimo. Agora se for uma merreca como R$ 5 mil, não dá. O que a gente vai fazer com R$ 5 mil?”, desabafa Valdenice.
Apesar do receio dos moradores, a desapropriação não está certa. Segundo os próprios moradores da Favela do Metrô, as autoridades locais ainda não se manifestaram e não houve nenhum comunicado oficial.
Escrito por Luana Pequeno e originalmente publicado no Blog Mural, da Folha de S. Paulo.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Projeto social muda a vida de cidadãos
José Antônio Miranda, o Padre, tem 42 anos e trabalha há oito com coleta seletiva. Ex-usuário de drogas, ficou assim conhecido pelos colegas de trabalho por casa do irmão, padre de uma paróquia em Osasco, região metropolitana de São Paulo.
Com problemas nas cordas vocais e dificuldade para enxergar, Padre conta que caiu de uma laje em um dia que estava bêbado e drogado, o que o levou a ficar uma semana em coma e 15 dias internado. O acidente afetou a sua voz, o fez usar óculos e o obrigou a três meses de fisioterapia.
Foi a vontade de deixar o mundo das drogas que o levou ao Projeto Vira Lata, um programa que promove a inclusão social e a geração de trabalho e renda através da reciclagem. Com a ajuda do irmão, Padre foi internado em uma clínica de reabilitação e conseguiu um emprego no Projeto. “Meu irmão viu que eu estava na sarjeta e que precisava de ajuda”, explica.
O Projeto Vira Lata nasceu em 1998 com a proposta de diminuir a exclusão social e a degradação ambiental. Atualmente, recolhe do meio ambiente cerca de 80 toneladas por mês de materiais que podem ser reciclados, o que gera trabalho e renda para os mais de 45 catadores que trabalham na coleta seletiva.
Segundo o fundador do Projeto, Wilson Santos Pereira, o Vira Lata conta com duas personalidades jurídicas, a Associação e a Cooperativa, criadas respectivamente em 2001 e 2007. Pereira, que é o presidente da Associação Vira Lata, conta que o Projeto surgiu através de uma reflexão feita pela comunidade do Jardim Boa Vista, região de Pirituba, em São Paulo, onde um grupo de pessoas concordou em montar uma coleta seletiva. “No começo, não tínhamos ideia de que o Projeto cresceria tanto”, conta.
A Cooper Vira Lata é a responsável pela coleta, triagem e pressão de materiais como papel, plástico e vidro, que são vendidos para as indústrias. Junto com a Associação, a cooperativa já empregou mais de 500 pessoas, dentre elas, ex-presidiários.
Para Pereira, a importância do Projeto se dá pelo fato de sensibilizar a sociedade para a questão ambiental. “Na medida em que fazemos a coleta desses materiais, nós estamos economizando recursos naturais. Em 10 anos de projeto, já evitamos que 70 mil árvores fossem derrubadas e economizamos 100 mil litros de petróleo por causa da reciclagem do papel e do plástico”, explica.
O Projeto já ajudou a vida de muita gente, inclusive a do próprio Padre, que é hoje o presidente da Cooper Vira Lata. Ele, que disse ter começado a usar drogas aos 14 anos, se considera curado há 8, tempo em que está no Projeto. “O Vira Lata virou a minha segunda casa. Antes eu tinha um vazio dentro de mim e só preenchi ele depois que fiquei internado na clínica e conheci o Projeto”, conta.
Padre tem muitos motivos para aprovar o Vira Lata. Foi lá que ele conheceu a sua esposa, Maria Cícera da Silva, de 42 anos, também cooperada. “Foi a mulher que eu sonhava para a minha vida”, termina ele contente.
Com problemas nas cordas vocais e dificuldade para enxergar, Padre conta que caiu de uma laje em um dia que estava bêbado e drogado, o que o levou a ficar uma semana em coma e 15 dias internado. O acidente afetou a sua voz, o fez usar óculos e o obrigou a três meses de fisioterapia.
Foi a vontade de deixar o mundo das drogas que o levou ao Projeto Vira Lata, um programa que promove a inclusão social e a geração de trabalho e renda através da reciclagem. Com a ajuda do irmão, Padre foi internado em uma clínica de reabilitação e conseguiu um emprego no Projeto. “Meu irmão viu que eu estava na sarjeta e que precisava de ajuda”, explica.
O Projeto Vira Lata nasceu em 1998 com a proposta de diminuir a exclusão social e a degradação ambiental. Atualmente, recolhe do meio ambiente cerca de 80 toneladas por mês de materiais que podem ser reciclados, o que gera trabalho e renda para os mais de 45 catadores que trabalham na coleta seletiva.
Segundo o fundador do Projeto, Wilson Santos Pereira, o Vira Lata conta com duas personalidades jurídicas, a Associação e a Cooperativa, criadas respectivamente em 2001 e 2007. Pereira, que é o presidente da Associação Vira Lata, conta que o Projeto surgiu através de uma reflexão feita pela comunidade do Jardim Boa Vista, região de Pirituba, em São Paulo, onde um grupo de pessoas concordou em montar uma coleta seletiva. “No começo, não tínhamos ideia de que o Projeto cresceria tanto”, conta.
A Cooper Vira Lata é a responsável pela coleta, triagem e pressão de materiais como papel, plástico e vidro, que são vendidos para as indústrias. Junto com a Associação, a cooperativa já empregou mais de 500 pessoas, dentre elas, ex-presidiários.
Para Pereira, a importância do Projeto se dá pelo fato de sensibilizar a sociedade para a questão ambiental. “Na medida em que fazemos a coleta desses materiais, nós estamos economizando recursos naturais. Em 10 anos de projeto, já evitamos que 70 mil árvores fossem derrubadas e economizamos 100 mil litros de petróleo por causa da reciclagem do papel e do plástico”, explica.
O Projeto já ajudou a vida de muita gente, inclusive a do próprio Padre, que é hoje o presidente da Cooper Vira Lata. Ele, que disse ter começado a usar drogas aos 14 anos, se considera curado há 8, tempo em que está no Projeto. “O Vira Lata virou a minha segunda casa. Antes eu tinha um vazio dentro de mim e só preenchi ele depois que fiquei internado na clínica e conheci o Projeto”, conta.
Padre tem muitos motivos para aprovar o Vira Lata. Foi lá que ele conheceu a sua esposa, Maria Cícera da Silva, de 42 anos, também cooperada. “Foi a mulher que eu sonhava para a minha vida”, termina ele contente.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Educação de (má)qualidade
Esta semana tivemos duas más notícias na área da educação: uma sobre o aumento do percentual de instituições de ensino superior com nota baixa, e outra sobre o número de desistência dos alunos nas universidades. Dois levantamentos do MEC que deveriam resultar em medidas mais concretas para a solução dos problemas do sistema educacional do país.
Infelizmente o problema não está só na educação básica. Embora ela seja o pontapé inicial para uma formação de qualidade, não adianta uma educação básica boa se o caminho seguinte não for. E vendo os dados apresentados pelo MEC, a situação é preocupante: o percentual de cursos com nota abaixo de 3 (no Índice Geral de Cursos do MEC as notas variam de 1 a 5, sendo 5 a melhor nota) atingiu 32,7%. Em São Paulo, a proporção dos alunos que abandonam a faculdade também aumentou, em 10 anos, de 18% para 27%.
Muita se fala em melhorar a qualidade do ensino brasileiro, mas diante desses números, fica claro que a situação se agrava cada vez mais. O MEC deveria ter uma posição mais rigorosa com relação às instituições de ensino com notas inferiores. Além de descredenciar as faculdades com condições precárias, deveria descredenciar também todas aquelas que apresentam notas abaixo de 3. Seriam muitas, mas ainda assim estaríamos no lucro.
Não adianta o país se vangloriar de ver crescendo o número de jovens que entram no nível superior, através de programas sociais como o Prouni, se esses mesmos jovens não conseguem concluir o curso ou terminam a graduação sem o preparo necessário para assumir a profissão. O que se quer são bons profissionais no mercado. Os números resultantes desse trabalho seria uma consequência.
Infelizmente o problema não está só na educação básica. Embora ela seja o pontapé inicial para uma formação de qualidade, não adianta uma educação básica boa se o caminho seguinte não for. E vendo os dados apresentados pelo MEC, a situação é preocupante: o percentual de cursos com nota abaixo de 3 (no Índice Geral de Cursos do MEC as notas variam de 1 a 5, sendo 5 a melhor nota) atingiu 32,7%. Em São Paulo, a proporção dos alunos que abandonam a faculdade também aumentou, em 10 anos, de 18% para 27%.
Muita se fala em melhorar a qualidade do ensino brasileiro, mas diante desses números, fica claro que a situação se agrava cada vez mais. O MEC deveria ter uma posição mais rigorosa com relação às instituições de ensino com notas inferiores. Além de descredenciar as faculdades com condições precárias, deveria descredenciar também todas aquelas que apresentam notas abaixo de 3. Seriam muitas, mas ainda assim estaríamos no lucro.
Não adianta o país se vangloriar de ver crescendo o número de jovens que entram no nível superior, através de programas sociais como o Prouni, se esses mesmos jovens não conseguem concluir o curso ou terminam a graduação sem o preparo necessário para assumir a profissão. O que se quer são bons profissionais no mercado. Os números resultantes desse trabalho seria uma consequência.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Arte em Itaquera
O bairro de Itaquera, na zona leste da capital paulista, agora tem apresentação de circo e show grátis. Neste final de semana, a região vai contar com duas atrações artísticas: a primeira é o show do Nicolas Krassik Trio, que acontece amanhã, dia 25/09, às 14 horas, no Parque do Carmo; a outra é o espetáculo circense "O Elefantinho que Caiu do Rabo do Cometa", mais voltado para o público infantil, que aconte no domingo, dia 26/09, às 15 horas, no Parque Raul Seixas.
As apresentações fazem parte do Projeto Cultura nos Parques, que tem como objetivo levar teatro, dança, música e circo para parques da periferia. O Projeto teve início no ano passado com a iniciativa da Cooperativa Paulista de Teatro. Neste ano, as atrações começaram em setembro, e vão até o dia 28 de novembro.
O Parque do Carmo fica na Av. Afonso de Sampaio e Souza, 951, e o Parque Raul Seixas na R. Murmúrios da Tarde, 211. Ambos em Itaquera. A censura é livre e a entrada é franca.
As apresentações fazem parte do Projeto Cultura nos Parques, que tem como objetivo levar teatro, dança, música e circo para parques da periferia. O Projeto teve início no ano passado com a iniciativa da Cooperativa Paulista de Teatro. Neste ano, as atrações começaram em setembro, e vão até o dia 28 de novembro.
O Parque do Carmo fica na Av. Afonso de Sampaio e Souza, 951, e o Parque Raul Seixas na R. Murmúrios da Tarde, 211. Ambos em Itaquera. A censura é livre e a entrada é franca.
domingo, 19 de setembro de 2010
Participação política
Estamos a poucos dias das eleições e o que venho percebendo é que boa parte da população alimenta um certo sentimento de desprezo por essa que chamamos de a ''grande festa da democracia". As pessoas estão descontentes com tudo e não acreditam que a vida de sua comunidade pode mudar dependendo do candidato que elas elegem.
Cada vez mais, a ideia de que "o meu voto não vai mudar nada" se firma na cabeça das pessoas, das mais humildes até aquelas com um grau de instrução maior. Existe uma certa revolta com a política, onde o conceito da palavra se resume, basicamente, no fato de não haver "nenhum político que preste".
As pessoas acabam indo às urnas por pura obrigação. Muitas delas, usam o seu poder de voto para "brincar", fazendo pouco caso das eleições e votando nas chamadas "figurinhas", como uma forma de protesto ou, simplesmente, de puro descaso.
Me pergunto até quando vai ser assim. Até quando a participação do brasileiro na política vai se resumir a um voto obrigatório. Não era assim que a democracia devia ser. Queria muito ver pessoas interessadas na política e, principalmente, pessoas que acreditem que sim, é possível mudar.
Não consigo entender por que as pessoas perderam as esperanças e simplesmente cruzaram os braços. Foram os já inúmeros escândalos políticos que já surgiram? Eles são assim tão suficientes para fazer as pessoas desistirem de buscar um país melhor? Será que realmente é melhor ficar do lado de fora só reclamando? Por que não participar, procurar entender, buscar informações e, até mesmo, interagir com os candidatos? A internet hoje possibilita isso.
Sou jovem, me interesso por política e ainda tenho esperanças. Você pode dizer que é porque sou nova, mas eu já conheci gente mais velha, como o pessoal do Movimento Voto Consciente, que ainda luta por um país melhor. Você pode fazer parte desse time, ou pode também, em um almoço com seus filhos, alimentar essa cultura de desinteresse pela política, e ver mais tarde uma legião de brasileiros descontentes. A escolha é sua.
Cada vez mais, a ideia de que "o meu voto não vai mudar nada" se firma na cabeça das pessoas, das mais humildes até aquelas com um grau de instrução maior. Existe uma certa revolta com a política, onde o conceito da palavra se resume, basicamente, no fato de não haver "nenhum político que preste".
As pessoas acabam indo às urnas por pura obrigação. Muitas delas, usam o seu poder de voto para "brincar", fazendo pouco caso das eleições e votando nas chamadas "figurinhas", como uma forma de protesto ou, simplesmente, de puro descaso.
Me pergunto até quando vai ser assim. Até quando a participação do brasileiro na política vai se resumir a um voto obrigatório. Não era assim que a democracia devia ser. Queria muito ver pessoas interessadas na política e, principalmente, pessoas que acreditem que sim, é possível mudar.
Não consigo entender por que as pessoas perderam as esperanças e simplesmente cruzaram os braços. Foram os já inúmeros escândalos políticos que já surgiram? Eles são assim tão suficientes para fazer as pessoas desistirem de buscar um país melhor? Será que realmente é melhor ficar do lado de fora só reclamando? Por que não participar, procurar entender, buscar informações e, até mesmo, interagir com os candidatos? A internet hoje possibilita isso.
Sou jovem, me interesso por política e ainda tenho esperanças. Você pode dizer que é porque sou nova, mas eu já conheci gente mais velha, como o pessoal do Movimento Voto Consciente, que ainda luta por um país melhor. Você pode fazer parte desse time, ou pode também, em um almoço com seus filhos, alimentar essa cultura de desinteresse pela política, e ver mais tarde uma legião de brasileiros descontentes. A escolha é sua.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Eleições 2010
Dez ministros do presidente Lula se despedem hoje do governo para concorrer às eleições. Em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, Reinhold Stephanes, (Agricultura), Dilma Rousseff (Casa Civil), Hélio Costa (Comunicações), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Edson Santos (Igualdade Racial), Geddel Vieira Lima (Ingregração Nacional), Carlos Minc (Meio Ambiente), Edson Lobão (Minas e Energia), José Pimentel (Previdência Social) e Alfredo Nascimento (Trasnportes) deixam seus cargos.
Entre os que vão disputar governos estaduais estão Hélio Costa (Governo de Minas), Patrus Ananias (Governo de Minas), Geddel Vieira Lima (Governo da Bahia) e Alfredo Nascimento (Governo do Amazonas). O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cotado para deixar a presidência do BC para ser vice na candidatura de Dilma à presidência, deve permanecer no cargo.
Acho que ''nunca antes na história desse país'' tantos ministros saíram do governo para disputar eleições. Espera-se que o impacto dessas mudanças não seja grande. A maior parte dos novos ocupantes dos ministérios tem um perfil mais técnico, além de já ocuparem cargos nas pastas. Mas na prática, o que isso vai representar? Ainda temos 9 meses de mandato.
Entre os que vão disputar governos estaduais estão Hélio Costa (Governo de Minas), Patrus Ananias (Governo de Minas), Geddel Vieira Lima (Governo da Bahia) e Alfredo Nascimento (Governo do Amazonas). O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cotado para deixar a presidência do BC para ser vice na candidatura de Dilma à presidência, deve permanecer no cargo.
Acho que ''nunca antes na história desse país'' tantos ministros saíram do governo para disputar eleições. Espera-se que o impacto dessas mudanças não seja grande. A maior parte dos novos ocupantes dos ministérios tem um perfil mais técnico, além de já ocuparem cargos nas pastas. Mas na prática, o que isso vai representar? Ainda temos 9 meses de mandato.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Disputa pelo Planalto
A corrida presidêncial desse ano promete. É uma Dilma Rousseff que tenta transparecer um carisma que não faz parte de sua personalidade, mas que pode ajudá-la a ganhar alguns votos do eleitorado de Lula. É um José Serra que teme que a cassação do prefeito Kassab - agora suspensa - interfira na sua campanha rumo ao Planalto. E há ainda um deputado federal da base aliada do governo que insiste em ser candidatar à Presidência, mesmo contrariando a estratégia do Planalto de lançá-lo candidato ao governo paulista.
Em reunião com dirigentes e líderes dos partidos aliados da última quarta-feira, 24 de feveiro, o deputado federal Ciro Gomes(PSB) confirmou o seu interesse em sair candidato à Presidência da República, embora não tenha se negado a um acordo em torno de sua candidatura ao governo de São Paulo.
De acordo com pesquisa divulgada na primeira semana de feveiro da CNT/Sensus, caso decida disputar o Palácio do Planalto, o deputado aparece em terceiro lugar nas intenções de voto. Em primeiro, está o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), que ocupa a segunda posição.
Segundo a pesquisa, a candidatura de Ciro Gomes chega a ser favorável a da Dilma Roussef, já que com ele no cénário da disputa, a petista encosta no candidato da oposição e líder das pesquisas, José Serra.
Ainda na corrida rumo ao Planalto, há a senadora Marina Silva (PV), que apesar de ter ficado em quarto lugar, registrou um crescimento e passou de 8,1% para 9,5% das intenções de voto.
Apesar de restarem alguns meses para as eleições, o debate sobre as escolhas dos novos dirigentes políticos já está a todo vapor, em especial no que se refere à sucessão presidencial. Que os debates prossigam e que a população possa ter um olhar crítico e saiba escolher seus candidatos, é o que se espera.
Em reunião com dirigentes e líderes dos partidos aliados da última quarta-feira, 24 de feveiro, o deputado federal Ciro Gomes(PSB) confirmou o seu interesse em sair candidato à Presidência da República, embora não tenha se negado a um acordo em torno de sua candidatura ao governo de São Paulo.
De acordo com pesquisa divulgada na primeira semana de feveiro da CNT/Sensus, caso decida disputar o Palácio do Planalto, o deputado aparece em terceiro lugar nas intenções de voto. Em primeiro, está o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), que ocupa a segunda posição.
Segundo a pesquisa, a candidatura de Ciro Gomes chega a ser favorável a da Dilma Roussef, já que com ele no cénário da disputa, a petista encosta no candidato da oposição e líder das pesquisas, José Serra.
Ainda na corrida rumo ao Planalto, há a senadora Marina Silva (PV), que apesar de ter ficado em quarto lugar, registrou um crescimento e passou de 8,1% para 9,5% das intenções de voto.
Apesar de restarem alguns meses para as eleições, o debate sobre as escolhas dos novos dirigentes políticos já está a todo vapor, em especial no que se refere à sucessão presidencial. Que os debates prossigam e que a população possa ter um olhar crítico e saiba escolher seus candidatos, é o que se espera.
domingo, 31 de janeiro de 2010
O veto do presidente
Essa última semana de janeiro contou com uma decisão no mínimo revoltante para o povo brasileiro. O presidente Lula resolveu contrariar o Tribunal de Contas da União (TCU) e liberou verba de aproximadamente R$ 13,1 bilhões a quatros obras da Petrobrás que estavam paralisadas por indícios de irregularidades graves apontadas pelo TCU.
O órgão havia recomendado a paralisação dos quatro empreendimentos pela suspeita de falhas nos projetos, falta de detalhamentos dos gastos e preços superiores aos de mercado. Lula, no entanto, vetou a lei orçamentária que determinava a paralisação das obras.
Os quatro empreendimentos em questão são a refinaria Abreu e Lima (PE), o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, a modernização da refinaria Presidente Getúlio Vargas (PR) e o terminal de Barra do Riacho (ES), que já geraram muitos gastos à União.
Não é a primeira vez que Lula libera verba para obras consideradas irregulares e, embora o presidente tenha justificado sua decisão afirmando que a paralisação das obras gera um prejuízo mensal de R$ 268 milhões e um corte de 25 mil empregos, é difícil acreditar que o veto à lei orçamentária tenha se limitado a isso.
Na verdade, os motivos para a retomada dessas obras são muito mais amplos, em especial por estarmos a poucos meses das eleições. No entanto, é inadmissível que um governo, para promover sua imagem e facilitar a candidatura de seu pré-candidato (no caso, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff) libere dinheiro para obras com indícios de irregularidades. A decisão de Lula é no mínimo vergonhosa e desmerece o sério trabalho realizado pelo Tribunal de Contas da União.
O órgão havia recomendado a paralisação dos quatro empreendimentos pela suspeita de falhas nos projetos, falta de detalhamentos dos gastos e preços superiores aos de mercado. Lula, no entanto, vetou a lei orçamentária que determinava a paralisação das obras.
Os quatro empreendimentos em questão são a refinaria Abreu e Lima (PE), o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, a modernização da refinaria Presidente Getúlio Vargas (PR) e o terminal de Barra do Riacho (ES), que já geraram muitos gastos à União.
Não é a primeira vez que Lula libera verba para obras consideradas irregulares e, embora o presidente tenha justificado sua decisão afirmando que a paralisação das obras gera um prejuízo mensal de R$ 268 milhões e um corte de 25 mil empregos, é difícil acreditar que o veto à lei orçamentária tenha se limitado a isso.
Na verdade, os motivos para a retomada dessas obras são muito mais amplos, em especial por estarmos a poucos meses das eleições. No entanto, é inadmissível que um governo, para promover sua imagem e facilitar a candidatura de seu pré-candidato (no caso, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff) libere dinheiro para obras com indícios de irregularidades. A decisão de Lula é no mínimo vergonhosa e desmerece o sério trabalho realizado pelo Tribunal de Contas da União.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
O polêmico plano
O Plano Nacional de Direitos Humanos do governo Lula ainda vai dá o que falar. Logo quando foi lançado, em 21 de dezembro, recebeu críticas dos comandantes militares por causa da proposta de criação de uma comissão da verdade a fim de apurar as circunstâncias dos crimes ocorridos durante a ditadura. Agora, como já era de se esperar, é a vez da Igreja Católica bater no governo.
O descontentamento dos religiosos se dá em razão de quatro artigos do documento, que propõem ações coordenadas de governo a fim de descriminalizar o aborto, proibir a ostentação de símbolos religiosos em órgãos públicos e permitir a união civil de homossexuais, bem como o direito à adoção.
Bispos, padres e católicos reagiram tão contrariamente ao plano quanto os militares. A defessa de tais artigos chega a ser ofensiva para a Igreja, que condena veementemente a aprovação de tais práticas. O bispo d. José Simão chegou a afirmar que a iniciativa é uma atitude arbitrária e antidemocrática do governo Lula.
A situação não é nada boa e ainda deve gerar muitas discussões. Órgãos como a Federação Paulista dos Movimentos em Defesa da Vida defendem que o assunto seja colocado em debate a fim de conscientizar a população acerca das medidas do plano.
Vamos ver como Lula irá administrar a questão. Vale lembrar que logo quando as ideias do programa foram lançadas, os comandantes das Forças Armadas colocarem os seus cargos à disposição. Talvez o presidente não tenha se importado muito com isso, mas seus eleitores católicos na certa não esquecerão.
O descontentamento dos religiosos se dá em razão de quatro artigos do documento, que propõem ações coordenadas de governo a fim de descriminalizar o aborto, proibir a ostentação de símbolos religiosos em órgãos públicos e permitir a união civil de homossexuais, bem como o direito à adoção.
Bispos, padres e católicos reagiram tão contrariamente ao plano quanto os militares. A defessa de tais artigos chega a ser ofensiva para a Igreja, que condena veementemente a aprovação de tais práticas. O bispo d. José Simão chegou a afirmar que a iniciativa é uma atitude arbitrária e antidemocrática do governo Lula.
A situação não é nada boa e ainda deve gerar muitas discussões. Órgãos como a Federação Paulista dos Movimentos em Defesa da Vida defendem que o assunto seja colocado em debate a fim de conscientizar a população acerca das medidas do plano.
Vamos ver como Lula irá administrar a questão. Vale lembrar que logo quando as ideias do programa foram lançadas, os comandantes das Forças Armadas colocarem os seus cargos à disposição. Talvez o presidente não tenha se importado muito com isso, mas seus eleitores católicos na certa não esquecerão.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Sem luz
O Brasil parou. O apagão de ontem (10/11), que segundo dados oficiais atingiu pelo menos 9 Estados e o Distrito Federal, foi o maior dos últimos dez anos. Cerca de 800 cidades brasileiras foram afetadas pela falta de energia, que resultou em um tremendo caos.
O incidente parou o metrô, atrapalhou o trânsito e provocou panes nos telefones. Quem voltava do trabalho, da faculdade ou de outros compromissos ansioso para chegar em casa e descansar, teve que adiar esse momento. O número de pessoas em pontos de ônibus como os da Radial Leste era grande e diversas pessoas, cansadas de esperar por um ônibus em que pudessem entrar, tamanha a lotação dos que passavam, descansavam nas calçadas.
Logo no início da pane, por volta das 22h30, pessoas que ficaram presas no metrô, na estação Bresser, e tiveram que sair do vagão e passar pelos trilhos, pulavam o muro da estação. Outras, que observavam a cena e caminhavam para o metrô, desistiram de chegar até a estação e começaram a reunir pequenos grupos, com medo de possíveis assaltos, para ir até a Radial e pegar uma condução.
No entanto, atravessar a avenida que liga as zonas leste e oeste da capital não foi fácil. Com os semáforos apagados, o jeito foi contar com os mais corajosos que se colocavam entre os carros com as mãos para o alto, sinalizando para que os veículos parassem, e abrindo caminho às demais pessoas, como verdadeiros guardas de trânsito.
O blecaute atingiu São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Goiás e Pernambuco. O motivo do apagão teria sido uma falha no sistema de transmissão de Furnas, que parou a usina de Itaipu. Uma torre de transmissão, teria sido derrubada devido às fortes chuvas no estado do Paraná.
O Governo tomou conhecimento da situação logo após a ocorrência do apagão. O presidente Lula, que estava em uma reunião com os governadores do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, tratando de mudanças no projeto do marco regulatório do pré-sal, determinou ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que tomasse as providências para solucionar o problema e esclarecesse a população.
É lastimável que um fato como esse ainda ocorra no Brasil. O que aconteceu ontem, só vem confirmar a fragilidade do sistema elétrico brasileiro. Um país como o Brasil, que está em franco crescimento, não pode ter esse tipo de falha. O pior é que, se esse sistema elétrico não progredir, incidentes como o de ontem só tendem a se repetir, visto que com a previsão de tempestades cada vez mais fortes, as linhas de transmissão se tornarão ainda menos seguras.
O incidente parou o metrô, atrapalhou o trânsito e provocou panes nos telefones. Quem voltava do trabalho, da faculdade ou de outros compromissos ansioso para chegar em casa e descansar, teve que adiar esse momento. O número de pessoas em pontos de ônibus como os da Radial Leste era grande e diversas pessoas, cansadas de esperar por um ônibus em que pudessem entrar, tamanha a lotação dos que passavam, descansavam nas calçadas.
Logo no início da pane, por volta das 22h30, pessoas que ficaram presas no metrô, na estação Bresser, e tiveram que sair do vagão e passar pelos trilhos, pulavam o muro da estação. Outras, que observavam a cena e caminhavam para o metrô, desistiram de chegar até a estação e começaram a reunir pequenos grupos, com medo de possíveis assaltos, para ir até a Radial e pegar uma condução.
No entanto, atravessar a avenida que liga as zonas leste e oeste da capital não foi fácil. Com os semáforos apagados, o jeito foi contar com os mais corajosos que se colocavam entre os carros com as mãos para o alto, sinalizando para que os veículos parassem, e abrindo caminho às demais pessoas, como verdadeiros guardas de trânsito.
O blecaute atingiu São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Goiás e Pernambuco. O motivo do apagão teria sido uma falha no sistema de transmissão de Furnas, que parou a usina de Itaipu. Uma torre de transmissão, teria sido derrubada devido às fortes chuvas no estado do Paraná.
O Governo tomou conhecimento da situação logo após a ocorrência do apagão. O presidente Lula, que estava em uma reunião com os governadores do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, tratando de mudanças no projeto do marco regulatório do pré-sal, determinou ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que tomasse as providências para solucionar o problema e esclarecesse a população.
É lastimável que um fato como esse ainda ocorra no Brasil. O que aconteceu ontem, só vem confirmar a fragilidade do sistema elétrico brasileiro. Um país como o Brasil, que está em franco crescimento, não pode ter esse tipo de falha. O pior é que, se esse sistema elétrico não progredir, incidentes como o de ontem só tendem a se repetir, visto que com a previsão de tempestades cada vez mais fortes, as linhas de transmissão se tornarão ainda menos seguras.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Guerra sem fim
O exército paquistanês está lutando contra o Taleban, mas isso só está trazendo mais baixas para a região. Só ontem, a explosão de um carro-bomba em um mercado de Peshawar, no noroeste do Paquistão, matou pelo menos cem pessoas, a maioria mulheres e crianças.
Desde o início do conflito entre o Taleban e o governo de Islamabad, em 2007, já foram contabilizados mais de 2.500 pessoas mortas em atentados suicidas. Com o ataque de ontem, o número de mortos em ofensivas terroristas subiu para 270 neste mês, que foi quando começou a nova onda de ataques atribuídos ao Taleban.
Ironicamente, a ação dos terroristas se deu pouco tempo depois que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, chegou ao país justamente para demonstrar o apoio de Washington à campanha do governo paquistanês contra os terroristas.
O Paquistão há muito briga contra o Taleban e está decidido a ir até o fim, para a alegria dos americanos. Ontem, o chanceler do país, Shah Mahmood Qureshi, disse que o governo paquistanês não esmorecerá e que o país não será derrotado.
A disposição do governo de Islamabad em seguir adiante na ofensiva contra o Taleban, é muito importante para os interesses do governo americano, que visa estabilizar o Afeganistão, já que a guerra travada no país se tornou o foco do presidente Barack Obama no combate ao terrorismo.
O interesse pode ser exemplificado por um ato da Casa Branca, que na segunda semana de outubro oficializou uma lei que visa uma ajuda anual de US$ 1,5 bilhão ao Paquistão, pelo prazo de cinco anos.
São guerras como essa, entre o Taleban e o Paquistão, que levam a comunidade internacional a se revoltar contra políticas anti-terroristas. A dor de ver centenas de mortos e feridos na televisão e nas capas dos jornais é universal. É muito triste que civis acabem pagando com a própria vida, disputas que parecem não ter fim nunca.
Desde o início do conflito entre o Taleban e o governo de Islamabad, em 2007, já foram contabilizados mais de 2.500 pessoas mortas em atentados suicidas. Com o ataque de ontem, o número de mortos em ofensivas terroristas subiu para 270 neste mês, que foi quando começou a nova onda de ataques atribuídos ao Taleban.
Ironicamente, a ação dos terroristas se deu pouco tempo depois que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, chegou ao país justamente para demonstrar o apoio de Washington à campanha do governo paquistanês contra os terroristas.
O Paquistão há muito briga contra o Taleban e está decidido a ir até o fim, para a alegria dos americanos. Ontem, o chanceler do país, Shah Mahmood Qureshi, disse que o governo paquistanês não esmorecerá e que o país não será derrotado.
A disposição do governo de Islamabad em seguir adiante na ofensiva contra o Taleban, é muito importante para os interesses do governo americano, que visa estabilizar o Afeganistão, já que a guerra travada no país se tornou o foco do presidente Barack Obama no combate ao terrorismo.
O interesse pode ser exemplificado por um ato da Casa Branca, que na segunda semana de outubro oficializou uma lei que visa uma ajuda anual de US$ 1,5 bilhão ao Paquistão, pelo prazo de cinco anos.
São guerras como essa, entre o Taleban e o Paquistão, que levam a comunidade internacional a se revoltar contra políticas anti-terroristas. A dor de ver centenas de mortos e feridos na televisão e nas capas dos jornais é universal. É muito triste que civis acabem pagando com a própria vida, disputas que parecem não ter fim nunca.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Um presidente deposto
Parece que o Brasil vem sendo o queridinho da América Latina, ou pelo menos, do presidente deposto Manuel Zelaya, que resolveu se refugiar na embaixada brasileira, em Tegucigalpa. Chegou clandestinamente em Honduras na segunda-feira, 21 de setembro, oitenta e cinco dias depois de ter sido preso e expulso do país, e permanece lá, com total apoio do presidente Lula.
Zelaya já tentou duas vezes regressar ao país e disse que dessa vez viajou durante quinze horas, passando por bloqueios e perseguições. Quando a imprensa já noticiava o seu refugio na Embaixada do Brasil, Manuel Zelaya, em entrevista ao canal espanhol CNN, disse que graças ao presidente Lula tinha proteção na Embaixada do Brasil, demostrando o seu agradecimento ao governo brasileiro.
Lula afirmou depois que o Brasil apoia a permanência de Zelaya na embaixada brasileira pelo tempo que for necessário, falando oficialmente que não cumpriria as exigências feitas pelo governo de fato de Honduras, que consiste em dar asilo formal a Zelaya no Brasil ou entregá-lo à justiça hondurenha. Lula justificou sua posição por não reconhecer um governo golpista.
Com o retorno de Zelaya, a crise política de Honduras se intensifica e gera mais tensão na região. A Embaixada do Brasil conta agora com o cerco de forças militares, além de Organizações Não-Governamentais (ONGs) que levam mantimentos à dezenas de pessoas que estão no local. Contudo, apesar de toda a repercussão do caso e da pressão dos defensores de Zelaya, o governo de Roberto Micheletti se mantém firme em impedir que o presidente deposto volte ao poder.
A atuação do Brasil nesse caso é louvável. Embora as comunidades internacionais repudiem o governo golpista, elas se mantêm em uma posição mais distante que o Brasil, fato esse que deve ter sido levado em conta por Zelaya, quando escolheu a embaixada brasileira para se refugiar e chamar a atenção do mundo contra o golpe hondurenho.
A posição de Lula era o que se podia esperar de um Estado Democrático de Direito. Não importa se a intenção de Manuel Zelaya era se perpetuar no poder, estabelecendo assim um governo ditatorial, nos moldes de Hugo Chaves, da Venezuela. O que se tem de mais importante para se analisar, é o fato de um presidente, eleito de forma democrática, ter sido deposto e expulso de seu país durante o seu mandato.
A comunidade internacional não pode aceitar o golpe de Honduras ou se manter indiferente ao ocorrido, o que pode vir acontecer diante da relutância de Roberto Micheletti em fechar algum acordo. A decisão de Zelaya de voltar a Honduras em um momento em que a imprensa já não estava dando tanto atenção ao caso, foi inteligente. E mais inteligente ainda, foi Lula ter se mantido firme no seu apoio ao presidente deposto.
Zelaya já tentou duas vezes regressar ao país e disse que dessa vez viajou durante quinze horas, passando por bloqueios e perseguições. Quando a imprensa já noticiava o seu refugio na Embaixada do Brasil, Manuel Zelaya, em entrevista ao canal espanhol CNN, disse que graças ao presidente Lula tinha proteção na Embaixada do Brasil, demostrando o seu agradecimento ao governo brasileiro.
Lula afirmou depois que o Brasil apoia a permanência de Zelaya na embaixada brasileira pelo tempo que for necessário, falando oficialmente que não cumpriria as exigências feitas pelo governo de fato de Honduras, que consiste em dar asilo formal a Zelaya no Brasil ou entregá-lo à justiça hondurenha. Lula justificou sua posição por não reconhecer um governo golpista.
Com o retorno de Zelaya, a crise política de Honduras se intensifica e gera mais tensão na região. A Embaixada do Brasil conta agora com o cerco de forças militares, além de Organizações Não-Governamentais (ONGs) que levam mantimentos à dezenas de pessoas que estão no local. Contudo, apesar de toda a repercussão do caso e da pressão dos defensores de Zelaya, o governo de Roberto Micheletti se mantém firme em impedir que o presidente deposto volte ao poder.
A atuação do Brasil nesse caso é louvável. Embora as comunidades internacionais repudiem o governo golpista, elas se mantêm em uma posição mais distante que o Brasil, fato esse que deve ter sido levado em conta por Zelaya, quando escolheu a embaixada brasileira para se refugiar e chamar a atenção do mundo contra o golpe hondurenho.
A posição de Lula era o que se podia esperar de um Estado Democrático de Direito. Não importa se a intenção de Manuel Zelaya era se perpetuar no poder, estabelecendo assim um governo ditatorial, nos moldes de Hugo Chaves, da Venezuela. O que se tem de mais importante para se analisar, é o fato de um presidente, eleito de forma democrática, ter sido deposto e expulso de seu país durante o seu mandato.
A comunidade internacional não pode aceitar o golpe de Honduras ou se manter indiferente ao ocorrido, o que pode vir acontecer diante da relutância de Roberto Micheletti em fechar algum acordo. A decisão de Zelaya de voltar a Honduras em um momento em que a imprensa já não estava dando tanto atenção ao caso, foi inteligente. E mais inteligente ainda, foi Lula ter se mantido firme no seu apoio ao presidente deposto.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Uma mulher na presidência, e não é Dilma
Marina cansou. Assim como milhares de brasileiros que se desiludiram com o PT, a senadora Marina Silva, uma das fundadoras do partido no estado do Acre, percebeu que aquele PT dos anos 80 não existe mais. Deve ser com uma boa dose de decepção que ela deixa o partido, no qual militou por quase trinta anos.
Ao lado da sensação de impotência de Marina , estão cidadãos que viram suas esperanças se perderem numa nuvem de fumaça. A ideia de um país sem desigualdade social e livre da corrupção de políticos ainda é um sonho, mas muitos acreditaram que ele seria realizado quando o ex-sindicalista e metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu a presidência da República.
A boa administração de Lula é perceptível, mas o crescimento do Brasil na gestão petista se deve também ao fato de ter havido um cenário econômico mundial favorável a isso. Sem desmerecer as conquistas dos últimos anos e a alta popularidade do presidente, devo dizer que por pertencer a um partido cuja ideologia partidária se consolidou como de esquerda, com uma postura crítica ao reformismo dos partidos social-democratas, a gestão Lula deixa muito a desejar.
A emoção e a expectativa que contagiou os brasileiros na época da campanha eleitoral “Lula lá, brilha uma estrela/ Lula lá, cresce a esperança/ Lula lá, o Brasil criança” se dissipou quando veio à tona o escândalo do mensalão, a suposta confecção de um dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso envolvendo a ministra Dilma Rousseff e, mais recentemente, a sua briga com a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, sobre as investigações da Fundação Sarney.
Essa mesma Dilma, envolvida em escândalos que a gestão petista tenta minimizar, é a pré-candidata do governo nas eleições presidenciais de 2010.
Diante desse cenário, a saída de Marina do PT e sua provável candidatura à presidência como filiada ao PV, muda todo um cenário eleitoral, composto principalmente por Dilma Rousseff e José Serra. A disputa acirrada do PT contra o PSDB, que já dura há mais de 15 anos, se vê abalada agora pela entrada de Marina, que tem a vantagem de ter um currículo limpo, além da simpatia causada pela defesa do desenvolvimento sustentável.
Nascida na Amazônia, a senadora tem uma biografia parecida com a do presidente. De família humilde, Marina foi seringüeira e analfabeta até os 16 anos. Entrou na vida política em 1988, como vereadora, e foi eleita senadora em 1995, se reelegendo em 2002. Deixou o cargo para assumir o Ministério do Meio Ambiente, que acabou renunciando alegando falta de apoio do presidente para enfrentar pressões do agronegócio.
Que Marina tem garra é evidente. Que pode ter reais chances de vencer, também é provável. O que não se sabe ainda, é como será confrontar com os grandes, aqueles que criam estratégias e planejam a vitória a qualquer custo. Vai lá Marina, e boa sorte!
Ao lado da sensação de impotência de Marina , estão cidadãos que viram suas esperanças se perderem numa nuvem de fumaça. A ideia de um país sem desigualdade social e livre da corrupção de políticos ainda é um sonho, mas muitos acreditaram que ele seria realizado quando o ex-sindicalista e metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu a presidência da República.
A boa administração de Lula é perceptível, mas o crescimento do Brasil na gestão petista se deve também ao fato de ter havido um cenário econômico mundial favorável a isso. Sem desmerecer as conquistas dos últimos anos e a alta popularidade do presidente, devo dizer que por pertencer a um partido cuja ideologia partidária se consolidou como de esquerda, com uma postura crítica ao reformismo dos partidos social-democratas, a gestão Lula deixa muito a desejar.
A emoção e a expectativa que contagiou os brasileiros na época da campanha eleitoral “Lula lá, brilha uma estrela/ Lula lá, cresce a esperança/ Lula lá, o Brasil criança” se dissipou quando veio à tona o escândalo do mensalão, a suposta confecção de um dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso envolvendo a ministra Dilma Rousseff e, mais recentemente, a sua briga com a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, sobre as investigações da Fundação Sarney.
Essa mesma Dilma, envolvida em escândalos que a gestão petista tenta minimizar, é a pré-candidata do governo nas eleições presidenciais de 2010.
Diante desse cenário, a saída de Marina do PT e sua provável candidatura à presidência como filiada ao PV, muda todo um cenário eleitoral, composto principalmente por Dilma Rousseff e José Serra. A disputa acirrada do PT contra o PSDB, que já dura há mais de 15 anos, se vê abalada agora pela entrada de Marina, que tem a vantagem de ter um currículo limpo, além da simpatia causada pela defesa do desenvolvimento sustentável.
Nascida na Amazônia, a senadora tem uma biografia parecida com a do presidente. De família humilde, Marina foi seringüeira e analfabeta até os 16 anos. Entrou na vida política em 1988, como vereadora, e foi eleita senadora em 1995, se reelegendo em 2002. Deixou o cargo para assumir o Ministério do Meio Ambiente, que acabou renunciando alegando falta de apoio do presidente para enfrentar pressões do agronegócio.
Que Marina tem garra é evidente. Que pode ter reais chances de vencer, também é provável. O que não se sabe ainda, é como será confrontar com os grandes, aqueles que criam estratégias e planejam a vitória a qualquer custo. Vai lá Marina, e boa sorte!
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Lei Antifumo
Entrou hoje em vigor a lei estadual paulista que proíbe o fumo em lugares fechados de uso coletivo em todo o Estado de São Paulo. Agora, fumar só é permitido ao ar livre, dentro do próprio carro ou em casa. Estabelecimentos como restaurantes, bares e danceterias - lugares fechados e que até então podiam permitir cigarros acesos - estão na lista da restrição. A lei nº 13.541 extingue também os fumódromos e as áreas de fumantes.
Já no primeiro minuto da madrugada desta sexta-feira, fiscais concentrados em bairros como Vila Olímpia, Itaim Bibi e Vila Madalena, fizeram as primeiras inspeções em bares e boates. Bairros fora do centro expandido da capital, como Freguesia do Ó e Guaianazes, também tiveram seus estabelecimentos fiscalizados.
A lei antifumo, que já vigora em cidades como Paris, Buenos Aires e Nova York, acompanha as tendências mundiais do combate ao tabagismo e, principalmente, ao fumo passivo. Criticada por uns e elogiadas por outros, a lei visa evitar que não fumantes sejam prejudicados pela fumaça exalada pelo cigarro.
Antes de discutir a liberdade que cada um tem em fazer o que quiser, vale lembrar que os males causados pelo tabagismo é uma questão de saúde pública. A poluição resultante da fumaça do cigarro tem três vezes mais nicotina e monóxido de carbono e, portanto, quem não opta por fumar, deve ter o seu direito respeitado.
Ao invés dos fumantes, inconformados de não poderem fumar nem nos bares, fazerem críticas às autoridades, esclareço que cabe justamente à ela, sob o ponto de vista sanitário, assegurar que os estabelecimentos apresentem boas condições de higiene e saúde para evitar que as pessoas fiquem doentes.
Se ninguém gosta de lugares com esgoto a céu aberto ou a presença de pragas urbanas como ratos e baratas, que são nocivos à saúde, não vejo por que uma lei que visa evitar a exposição à fumaça do cigarro, altamente prejudicial à saúde, pode ser criticada. Apoio a medida e deixo aqui os meus sinceros agradecimentos ao governador José Serra (PSDB).
Já no primeiro minuto da madrugada desta sexta-feira, fiscais concentrados em bairros como Vila Olímpia, Itaim Bibi e Vila Madalena, fizeram as primeiras inspeções em bares e boates. Bairros fora do centro expandido da capital, como Freguesia do Ó e Guaianazes, também tiveram seus estabelecimentos fiscalizados.
A lei antifumo, que já vigora em cidades como Paris, Buenos Aires e Nova York, acompanha as tendências mundiais do combate ao tabagismo e, principalmente, ao fumo passivo. Criticada por uns e elogiadas por outros, a lei visa evitar que não fumantes sejam prejudicados pela fumaça exalada pelo cigarro.
Antes de discutir a liberdade que cada um tem em fazer o que quiser, vale lembrar que os males causados pelo tabagismo é uma questão de saúde pública. A poluição resultante da fumaça do cigarro tem três vezes mais nicotina e monóxido de carbono e, portanto, quem não opta por fumar, deve ter o seu direito respeitado.
Ao invés dos fumantes, inconformados de não poderem fumar nem nos bares, fazerem críticas às autoridades, esclareço que cabe justamente à ela, sob o ponto de vista sanitário, assegurar que os estabelecimentos apresentem boas condições de higiene e saúde para evitar que as pessoas fiquem doentes.
Se ninguém gosta de lugares com esgoto a céu aberto ou a presença de pragas urbanas como ratos e baratas, que são nocivos à saúde, não vejo por que uma lei que visa evitar a exposição à fumaça do cigarro, altamente prejudicial à saúde, pode ser criticada. Apoio a medida e deixo aqui os meus sinceros agradecimentos ao governador José Serra (PSDB).
sexta-feira, 19 de junho de 2009
A Crise no Congresso Nacional
Desde o começo do ano, após as eleições para a presidência do Senado e da Câmara, começaram a surgir uma série de escândalos no Congresso Nacional. Desde a farra das passagens aéreas até a divulgação da existência dos atos secretos, o que se vê na Casa são parlamentares perdidos, lotados em um Senado e em uma Câmara completamente desestruturada.
O que vale pensar, no entanto, é por que a culpa dessas irregularidades recai toda em cima dos presidentes eleitos, José Sarney e Michel Temer (Senado e Câmara, respectivamente). A constante divulgação de notícias sobre os problemas pelo quais o Congresso passa, fruto das denúncias de irregularidades cometidas pelos parlamentares, leva ao pensamento de que elas tiverem início após Sarney e Temer assumirem os cargos, o que não deixa de ser ilusório.
Boa parte do que foi divulgado, se não tudo, fazia parte da Casa há pelo menos alguns anos. Ou os atuais presidentes tiveram o azar de que tais irregularidades viessem à tona durante seus mandatos, ou não tiveram a capacidade de escondê-las, como tantos outros fizeram.
Aqui, quero ressaltar que o enfoque que a mídia dá a este assunto, não só desmoraliza o Congresso Nacional perante à sociedade, como principalmente Sarney e Temer. Não que se aprove um ou outro, mas é importante que se pare pra pensar na declaração feita por Sarney: “ A crise é do Senado, não minha”. De fato, mesmo ele sendo o responsável por adotar medidas para melhorar o Senado, os problemas já existiam muito antes de ele tomar posse, a diferença é que não se tinha conhecimento.
Para que essa análise fique mais ampla, uma frase mais adequada seria “A crise é do Congresso, não deles”, englobando aí a Câmara e seu respectivo presidente, Michel Temer. Talvez por ser revoltante pensar que o Congresso Nacional sempre foi a bagunça que mostra ser agora, é que muitos prefiram acreditar que tudo aconteceu neste ano. Pode ser também que a sociedade não prefira pensar dessa forma, mas simplesmente acredita que seja assim.
Nesse contexto, vale pensar em como, atualmente, as pessoas veem a Casa. A imagem dela está abalada e a imprensa teve papel decisivo para isso. O Congresso Nacional é para ser visto com respeito, não pode ser desmoralizado, mesmo que seus próprios integrantes tenham contribuído para isso. Como órgão constitucional que exerce, em esfera federal, funções legislativa e fiscalizatória do Estado, as pessoas precisam e querem acreditar nele.
O que vale pensar, no entanto, é por que a culpa dessas irregularidades recai toda em cima dos presidentes eleitos, José Sarney e Michel Temer (Senado e Câmara, respectivamente). A constante divulgação de notícias sobre os problemas pelo quais o Congresso passa, fruto das denúncias de irregularidades cometidas pelos parlamentares, leva ao pensamento de que elas tiverem início após Sarney e Temer assumirem os cargos, o que não deixa de ser ilusório.
Boa parte do que foi divulgado, se não tudo, fazia parte da Casa há pelo menos alguns anos. Ou os atuais presidentes tiveram o azar de que tais irregularidades viessem à tona durante seus mandatos, ou não tiveram a capacidade de escondê-las, como tantos outros fizeram.
Aqui, quero ressaltar que o enfoque que a mídia dá a este assunto, não só desmoraliza o Congresso Nacional perante à sociedade, como principalmente Sarney e Temer. Não que se aprove um ou outro, mas é importante que se pare pra pensar na declaração feita por Sarney: “ A crise é do Senado, não minha”. De fato, mesmo ele sendo o responsável por adotar medidas para melhorar o Senado, os problemas já existiam muito antes de ele tomar posse, a diferença é que não se tinha conhecimento.
Para que essa análise fique mais ampla, uma frase mais adequada seria “A crise é do Congresso, não deles”, englobando aí a Câmara e seu respectivo presidente, Michel Temer. Talvez por ser revoltante pensar que o Congresso Nacional sempre foi a bagunça que mostra ser agora, é que muitos prefiram acreditar que tudo aconteceu neste ano. Pode ser também que a sociedade não prefira pensar dessa forma, mas simplesmente acredita que seja assim.
Nesse contexto, vale pensar em como, atualmente, as pessoas veem a Casa. A imagem dela está abalada e a imprensa teve papel decisivo para isso. O Congresso Nacional é para ser visto com respeito, não pode ser desmoralizado, mesmo que seus próprios integrantes tenham contribuído para isso. Como órgão constitucional que exerce, em esfera federal, funções legislativa e fiscalizatória do Estado, as pessoas precisam e querem acreditar nele.
domingo, 10 de maio de 2009
O Futuro da Criança
Ser criança no século XXI é ser um adulto jovem. Não deveria ser esse o conceito atribuído, mas é justamente ele que melhor traduz a fase da infância nesta sociedade moderna, que entre tantas mudanças, alterou também o comportamento e o modo de ser da criança.
Uma observação de como meninos e meninas vivem hoje é que permite o questionamento de como será o futuro da criança. O ponto central gira em torno da dedução de que, se a infância é hoje um reflexo de novos hábitos e costumes adquiridos por meio do desenvolvimento da sociedade, como ela será amanhã, visto que esse desenvolvimento é contínuo?
Há formas diferentes de encurtar a chamada fase da infância. Se por um lado existe a banalização do cenário constituído por crianças que pedem esmolas nas ruas e deixam de brincar e se divertir, há outro que aponta àquelas que, superprotegidas pelos pais, se fecham no seu mundo de computadores e videogames.
Tanto uma quanto a outra é o reflexo desse novo mundo, retratado por um sistema capitalista que intensifica as desigualdades sociais. É esse mesmo sistema que promove um consumo desenfreado e faz com que a sociedade aceite o apelo publicitário e se disponha ao entretenimento pouco educativo e erotizado.
Hoje as crianças deixam de ter o contato com outras crianças para fazer parte do mundo dos adultos. Assistem aos mesmos programas televisivos que eles, querem saber de iPod, celular e câmera digital. Brincam cada vez menos e com isso deixam de estabelecer trocas afetivas, prática fundamental para o bom desenvolvimento infantil.
O futuro da criança tende a ser ao menos bem diferente do que foi um dia e do que é hoje. A idéia que se faz depois de algumas análises desse antes e depois, leva a crer que a infância será cada vez mais curta, visto que já é repassado para elas, cobranças que deveriam se limitar à jovens e adultos.
Essas exigências, que para crianças de famílias pobres podem ser o trabalho infantil, e para as de famílias ricas, o excesso de aulas e atividades, levará as crianças a um estado de amadurecimento precoce, maior do que já observado nos dias atuais. Fica aí, a curiosidade e o desejo de que essa projeção não ser torne uma realidade maior do que já é.
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